Odila Cruz Melges Molina – 10.09.1999 (Odilinha)

Passei a minha infância e mocidade no interior de São Paulo, numa cidadezinha pequena, Pompéia, nasci, cresci e casei. Depois fomos morar em Santos por dois anos, em seguida fomos para São Paulo e lá fiquei por vinte anos. Daí resolvemos mudar para Marília, interior de São Paulo, onde estão nossas raízes familiares. Tínhamos receio da mudança, da capital para o interior, numa cidade pequena, comparada com São Paulo, e iríamos levar uma vida completamente diferente da que estávamos acostumados a viver. A maioria dos nossos parentes não acreditavam que nós fossemos mudar mesmo.

Em 1990 compramos uma boa casa, num bairro afastado do centro da cidade, só com residências, perto de minha mãe e irmã. Depois de um ano de reformas, chegou o grande dia: mudamos. Eu larguei meu emprego de professora numa escola particular e lá fomos nós para o interior receosos, mas confiantes … Nosso apartamento em São Paulo ficou para quando íamos passear na capital.

Temos três filhos, Silvio o mais velho, já fazia faculdade de Medicina na cidade de Marília, Lea a do meio estava fazendo curso preparatório para entrar na faculdade e Cid, o caçula na 5ª série do primeiro grau.

Nossa casa é grande, com um gramado imenso e com isso resulta muito trabalho e nós nos dispusemos a fazer, o serviço para poder preencher o tempo ocioso. Todos os dias pela manhã, eu, minha mãe e irmã caminhávamos pelos arredores do nosso bairro por mais ou menos uma hora e assim todos os assuntos ficavam em dia.

Numa das manhãs, minha irmã contou que havia lido na revista “Seleções”, um artigo de uma menina americana que todos os meses escrevia e passava no mimeógrafo, um jornalzinho para os parentes, contando as novidades da família e deu a idéia para que eu também fizesse um jornal, já que nossa família é grande e muitos moram em outros estados. Achei a idéia interessante.

Na volta do passeio, fui pensando sobre o assunto que muito me agradou e até pensando num nome e como faria esse jornal, pois nunca tinha feito um e nem sou do ramo. Chegando em casa, contei a idéia para os meus filhos e eles ficaram entusiasmados, não falei nada para o meu marido, pois como eu o conheço bem, certamente ele não iria gostar da idéia.

Pensei vários dias, mas não contei para os outros parentes, queria fazer uma surpresa. Coloquei a idéia em prática e fiz um jornal, sem muita pretensão, pois queria ver a repercussão que ele teria, se todos iriam gostar, etc …

O 1º número saiu com 3 folhas de papel sulfite, foi feito no computador do meu filho, mas quem digitou fui eu, achei difícil, diferente da máquina de escrever, pedia ajuda a toda hora, mas consegui ! … Coloquei no correio todos os exemplares, mesmo para os parentes que moram aqui na cidade mesmo e aguardei ansiosamente pelas respostas.

Para meu contentamento, todos adoraram !!! Recebi muitos telefonemas e cartas dos parentes, dando notícias de suas famílias, para o próximo número. O 1º número saiu em setembro de 1991 e já se passaram 7 anos e em setembro próximo completaremos 8 anos de jornal, já pensaram ! Nenhum mês foi pulado, ele é feito religiosamente com bastante carinho e dedicação, pois não é fácil ter esse compromisso todos os meses.

Quem assina fica por dentro de todas as novidades da família, mesmo morando longe. Às vezes temos parentes que vão morar provisoriamente no exterior, e continuam recebendo mensalmente o jornal.

Durante todos esses anos, fui aprendendo a usar essa inovação da nossa época chamada computador. No início, apertava alguma tecla errada e lá se ia o jornal, tinha que digitar tudo de novo, era um horror, perdia muito tempo. Quando o computador dava defeito, e eu tinha que fazer o jornal rápido, usava o do meu sobrinho, ou então a máquina de escrever, era um sofrimento.

Hoje, nosso computador é quase top de linha e dificilmente acontece algum defeito, pois o meu filho Cid, o mais novo, agora com 20 anos já entende bastante de computador e ficou mais fácil. Não deixamos que ele fique obsoleto, estamos sempre nos atualizando, dentro do orçamento familiar. Hoje não ficamos sem o computador, já é parte importante da casa.

Em Marília é a região onde mora a maioria dos parentes e então as mulheres se reúnem todos os meses para uma confraternização familiar, pois com o mundo moderno que vivemos, é muito difícil uma ir na casa da outra como antigamente e assim essa reunião é sempre esperada com alegria. Cada mês é na casa de uma e todas que comparecem levam um prato de doce ou salgado; assim não sobrecarrega a dona da casa que fica encarregada dos sucos, café e outra coisa que queira fazer. Essa reunião é denominada Chá Mensal.

Só não nos reunimos no mês de janeiro e julho, pois os parentes saem de férias e fica mais difícil. Os homens dificilmente participam das reuniões, já chegamos a fazer vários churrascos, onde os demais membros da família participam, mas é mais difícil. Em junho de 1996 nos reunimos em Botucatu, cidade que fica há 200

km de Marília e lá reside uma parte grande da família. Alugamos um ônibus e lá fomos nós felizes para nos encontrar com os parentes. Foi um dia maravilhoso, tiramos muitas fotos …

Nossa família ficou mais unida depois que o jornal e o chá estão sendo feitos, pois família é algo maravilhoso, que herdamos de nossos ancestrais e que devemos preservar e incentivar nossos filhos a participar, é muito importante.

Tem parentes que não os vemos há bastante tempo, eles nem conhecem os nossos filhos e nem nós os deles, mas com o jornalzinho, tudo mudou … Nos dias atuais, nosso jornalzinho está bem diferente dos primeiros números, é mais grosso e temos sempre inovações, já chegamos até mais de 30 folhas num só mês.

O jornal basicamente é composto por: editorial, notícias, aniversários, artigos variados, espaço cultural, culinário, etc … O editorial é mais ou menos relativo a alguma data do mês em que estamos. As notícias são as do mês anterior ou mais atrasadas, que são colocadas em ordem cronológica, pois nem todos os parentes enviam suas notícias mensalmente.

Os aniversários, de nascimento, casamento e também os falecimentos daquele

mês são lembrados, pois é importante que os parentes saibam quem está aniversariando. Os artigos variados são compostos por descrições de viagens,

passeios, que alguém da família fez e gostou e conta como foi, ou então falamos sobre algum membro da família mais velho que já é falecido ou que está vivo mesmo, para que os mais jovens possam conhecer seus ancestrais e saber de onde vieram.

O espaço cultural, é onde indicamos algum livro que lemos e gostamos bastante, filmes, CD’s, teatro, restaurante, etc … todos participam. As fotos também fazem parte do jornal, pois assim podemos acompanhar o crescimento dos mais jovens e conhecê-los, a família toda fica por dentro.

Através do jornal, ficamos conhecendo alguns parentes que nunca vimos e eles também gostam de assinar, pois assim ficam em dia com as novidades de todos.

Com a Internet, e o Correio Eletrônico, ficou mais fácil de dar notícias, pois chegam com uma rapidez espantosa. Como disse anteriormente, com o jornal fui obrigada a aprender a usar o computador, pelo menos naquilo que eu uso. Foi um aprendizado forçado, mas consegui vencer a máquina ! Depois que o jornal está pronto no computador, imprimo na impressora, coloco desenhos sobre os assuntos e daí intercalo as folhas com fotos e mando para o xerox. Não vale a pena usar a impressora para fazer as cópias, pois são muitas folhas.

Alguns da família mandam fazer as fotos no xerox colorido, que fica ótimo, mas é um pouco caro, claro que o meu número é colorido. Quando o ano termina, todos os números relativos aquele ano, são encadernados para que não se percam. Assim temos um registro da família anualmente.

Como não podia deixar de ser, sou muito conhecida na família. Muitas primas reclamam que eu “pego no pé” para as reuniões, mandarem as notícias mensais,

etc … eu não ligo, porque é sempre assim, se eu não apertar todos se acomodam e nada sai e daí depois ficam perguntando o porque de não se reunirem …

Quem mora longe dá mais valor ao jornal, pois quando o recebem, tomam conhecimento de todas as fofocas da família.

O meu telefone é bastante requisitado, recebo muitas notícias e às vezes falo muito, meu marido reclama … Quando estou terminado o jornal, deixo tudo da minha casa para trás e o jornal fica em primeiro plano, e quando não consigo terminar logo por algum motivo, fico furiosa com o atraso.

Ele é bastante trabalhoso, mas compensa muito, pois estou dando a minha contribuição para que a família não perca o seu elo. Junto nos alegramos nos bons momentos e nos tristes também choramos juntos, pois repartindo as alegrias e dores, vivemos melhor e é assim que deve ser !

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