Melges na Alemanha

Melges Incógnito

Melges é um sobrenome que de forma documentada eu consegui situar em várias cidades da velha Alemanha, e, em especial, com grandes quantidades de familiares, nas cidades de Briedel, Zell, e Lippe.

Historicamente, em primeiro lugar eu conheci os Melges da cidade de Briedel que emigraram em 1846 da região conhecida como Mosela ou ainda Distrito de Cochem-Zell, associação municipal de Verbandsgemeinde Zell, no estado da Renânia-Palatinado [Rheinland-Pfalz], que é de onde vieram nossos ancestrais, emigrados em 1846 à partir do casal Jakob Melges e Ana maria Rheinardt.

Em segunda lugar, pesquisando nos Estados Unidos da América do Norte, eu conheci os Melges que emigraram da cidade de Lippe em 1865 para os USA. Lippe ou Lipa [sua forma portuguesa] é um distrito (kreis ou landkreis) da Alemanha que se localiza na região de Detmold, estado da Renânia do Norte-Vestfália, sendo que este distrito de Lippe cobre praticamente a mesma área do antigo Principado de Lippe e do Estado Livre de Lippe.

Escrevo hoje aos parentes Melges do Brasil, da Alemanha e da América do Norte, bem como de outros países que já localizei e com alguns fiz contato, para demonstrar qual é a origem que eu consegui documentar sobre o nosso sobrenome familiar – Melges, e muito embora isto esteja sendo rescrito hoje (30.12.2017) para mim esta informação é muito antiga, desde 1976. Digo, como o meu pai fazia questão de frisar, que tudo quanto escrevemos [Ulysses e Walmir] está calcado em bases sólidas, documentais (fonte primária) ou cadernos e relatos de nossas andanças em diários de viagens, e de pesquisas perenes em material bibliográfico ou visitando cidades, cartórios, cemitérios, igrejas e entrevistando pessoas, descendentes ou não do nosso imigrante Jakob Melges.

O aparecimento da Família Melges da qual somos descendentes, ocorreu em um pequenina igreja no ano de 1694, em uma minúscula cidade, quando um alemão chamado simplesmente de Melchiors, nascido em 1594, gerou um filho ao qual chamou Johann Leonardus Melchior, porém os registros existentes na Igreja Católica de Briedel não identificaram os pais de Melchiors (1594), nem o nome da sua esposa que se tornou a mãe de Johann Leonardus Melchior, porém a realidade é que eles existiram e a maior prova é que cá estou escrevendo e vocês, que estão lendo e que também assinam o sobrenome Melges, fazemos udo deste sobrenome: MELGES. Minha prova material se encontra nos livros da pequenina igreja na pequenina localidade que acabei de citar, em local que pertenceu à Igreja Católica de Briedel.

Em seguida, Johann Leonardus Melchior casou-se com Maria Mees, em Briedel, e geraram os filhos Magdalena Melchiors e Matth Melges também chamado de Mathias Melchior, sendo que este nasceu em Cellensis, provavelmente pequenina vila daquela época, ou ainda apenas o nome de uma igreja ou comunidade rural.

Os motivos pelos quais o filho Mathias Melchior, foi também denominado por Matth Melges, certamente nunca saberemos, mas foi com o nascimento deste Matth que o nome MELGES apareceu naquela pequenina cidade que possuía cerca de 1.300 almas, e quiçá, este Matth Melges tenha sido o primeiro homem a receber este sobrenome – Melges – na face da terra.

Melges sobrenome

Dizem alguns amigos, experimentados genealogistas, bem como alguns alemães que conheci em Sã Paulo, que provavelmente, Melges é uma corruptela de Melchiors, criada em função dos antigos dialetos, problemas na grafia do alemão antigo para o latim, ou ainda a pronuncia do pessoal de algumas regiões de montanha.

Agradecerei se algum parente ou amigo conseguirem luzes que possam melhor esclarecer este assunto, mas quando pesquisei na Igreja Católica em Petrópolis, fui atendido por um velho padre que me facilitou o acesso ao registro de nascimento de Adão Melges (meu bisavô é tido como o primeiro Melges a nascer no Brasil – sobre este assunto tenho anotações e conclusões para um outro artigo) e ao mesmo tempo, lendo aqueles registros antigos – 1.845/1848 – grafados no latim antigo, aquele padre me disse que em latim nosso nome é Melkul.

Analisando os escritos do nosso parente Raul Pacheco Jordão, advogado e dono de cartório, portanto pessoa letrada daquela época, que foi casado com Cândida Melges [Tia Candinha – tia do meu pai Ulysses] filha de Adão Melges, neta de Jakob Melges – nosso imigrante – quando  o Tio Raul forneceu subsídios familiares para o editor da famosa Genealogia Paulistana, o sobrenome Melges é corruptela de Melches ou Melkes.

Pessoalmente, minhas pesquisas indicaram que todos estes nomes [Melges, Melches, Melkes] ou ainda Melcher, ou Melchert [como alguns dos antigos fizeram questão de adotar] tem origem em um nome só: MELCHIORS.

Mais modernamente, já no Brasil, em função de vários fatores que predominavam nos cartórios de registro civil, bem como nos registros das igrejas, nosso sobrenome sofreu outras variações, das quais posso citar MERGER, MERGES, MERGIS, MERGE, MELGIS, MELGE, e outros, dos quais tenho artigo quase pronto para publicar.

Mathias Melchior, também denominado Matth Melges, casou-se Briedel em 3 de fevereiro de 1704 ou 1705 com Johanna Mühl, e deste casamento nasceu Matth Melges I em 19 de agosto de 1716, falecido em 26 de setembro de 1772.

Matth Melges I casou-se em Briedel com Komev An Bevborg (nascida em 29 de agosto de 1720 na Alemanha e falecida em Briedel em 23 de dezembro de 1759. Nasceu deste casamento Jakob Melges I em 11 de março de 1754 (o avô do nosso imigrante Jakob Melges “II”), falecido em 16 março 1807.

Jakob Melges I casou-se em 16 de novembro de 1784 em Briedel com Maria Gertrud Goldschimidt (nascida em  24 de dezembro de 1752 e falecida em 22 de setembro de 1795), e deste casamento nasceram os filhos: Phil Melges, nascido em 18 de fevereiro de 1792 e falecido em 4 fevereiro 1830; Ana Margaretha Melges, casada com Jon Adan Hillesheim em 16 de fevereiro de 1808 sendo eu o casal teve 9 filhos; Maria Elizabetha Melges; Jacobus Melges em 7 de maio de 1789; Joes Philippus Melges em 12 de agosto de 1791, e Mathias Melges, V em 8 de outubro de 1793.

Nosso ponto de interesse maior neste artigo está em que casou em 17 de maio de 1817 com Elisabeth Back (nascida em 23 de dezembro de 1789 ou 12 de novembro de 1791), nascendo os filhos: Mathias Josef Melges em 23 de agosto de 1818, Jakob Melges II (nosso imigrante) em 22 de março de 1820, Johann Adam Melges em 17 de junho de 1822, Maria Catharina Melges em 11 de abril de 1824, Matheus Josef Melges em 21 de janeiro de 1827, e Gertrud Melges em 11 de agosto de 1829.

Elisabeth Back era filha de Jacob Back nascido em 26 de junho de 1751, e Anna Margareth Reis que faleceu em Briedel, em 20 de dezembro de 1811, casados em Briedel em 10 de fevereiro de 1784.

Jacob Melges II, nosso imigrante, casou-se em 6 de junho de 1844 em Briedel (pertencente ao condado de Zell) com Anna Maria Reinhardt, nascida em 19 de janeiro de 1818 na vizinha cidade de Zell (condado) no patrimônio chamado Schaurer.

As informações publicadas na Revista SKT Paulusblath (São Paulo) da Igreja Católica – edição janeiro/78, ano 61, demonstram que a viúva de Philipp Melges com 6 filhos e Jakob Melges com 1 filho (Simon) partiram para o Brasil: Mathias Josef Melges, Jakob Melges II (nosso imigrante), Johann Adam Melges, Maria Catharina Melges, Matheus Josef Melges, e Gertrud Melges.

Aparentemente nosso ramo familiar original [Jakob + seus pais + irmãos] não permaneceu na Alemanha e os parentes que existem hoje são descendentes de Jacob Melges II nosso imigrante, mas pode ser que existam descendentes de dos seus irmãos ou ainda de tios de Jakob Melges II.

Digo aparentemente uma vez que nas informações que já recebi de várias fontes de Briedel, dizem que nosso imigrante veio com sua mãe Elizabeth, sua esposa, seu filho e irmãos, para o Brasil, porém quando faço os cruzamentos de datas de falecimento, encontro alguns destes que já haviam falecido lá em Briedel, em data anterior à vinda de Jakob Melges e família ao Brasil.

Meu pai sempre dizia que tinha ouvido do seu avô Adão Melges, que os tios dele [Adão] haviam emigrado para a América do Norte [irmãos do Jakob Melges II], porém ainda não consegui fazer esta amarração, dos antigos Melges dos USA, com a nossa genealogia. A realidade é que  os registros mais antigos na América do Norte são posteriores à 1865 [quando Fred e Lina] emigraram de Lippe para os USA.

É claro que já encontrei Melges norte americanos que eu não consegui “amarrar” na Genealogia Norte Americana de Lippe”, nem na “Genealogia Brasileira de Briedel”. Quiçá um dia eu ainda consiga fazer tal amarração.

Preciso encontrar tempo para fazer esta conferência, porém o tempo é escasso, cruel e veloz e minhas anotações estão esparsas em mais de mil folhas.

Quanto a escolha do termo “incógnito” ao título deste artigo, deste subsídio genealógico, quem sabe um dia eu o divulgue.

Walmir da Rocha Melges, parte publicado inicialmente em 1976, depois em várias edições até esta última em 5 de março de 2003.

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