Ulysses MelgesEste poema foi escrito em 1984 versando sobre um fato ocorrido em 1919

Eu vi, minha infância nascer numa longa viagem

Num carro de boi em plena selva, com bela paisagem

Tudo foi deslumbrante, o que ficou gravado na memória.

Meus pais como pioneiros, entrando em selva bruta

Com a família no fim da picada, disposto a luta

Teve início para mim, esta verídica história.

Eu vi, quando tinha apenas três anos

Meu pai com esperança, desconhecia os enganos

Com a família num carro de boi, entrou selva a dentro.

Eu e meus irmãos, como gatinhos enrolados no cueiro

Viajando no fundo do carro, ouvíamos o berro do carreiro

Que falava os nomes dos bois, para dar alento.

Eu vi, a grande mata que sobre nós passava

Como monstros a beira da estrada, enquanto o carro andava

Assim me parecia, que as árvores estavam andando.

Nesta longa viagem, que durou o dia inteiro

Os bois arrastavam as patas, enquanto gritava o carreiro

E lado a lado do caminho, as árvores iam ficando.

Eu vi, nesta viagem longa de muito calor

A estrada chegar ao fim, em lugar desolador

Que só grandes matas se via, em todos quadrantes.

Senti que o sofrimento me chegou bem cedo

Com toda minha infantilidade tive medo

Que até hoje sinto arrepios, do passado relevante.

Eu vi, começar em minha família, a grande luta

Em lugar inóspito, no meio da selva bruta

E nada eu poderia fazer apenas observar.

Minha mãe doentia, cuidava do serviço caseiro

Enquanto meu pai, enfrentava o sol o dia inteiro

E ainda a noite fazia trabalhos, sem descansar.

Eu vi, o estado de desconforto, que minha família estava

Meu pai como artesão, tudo ele fabricava

Sem tecnologia, usando apenas sua criatividade.

Tudo era rústico, apenas para superar os problemas

Num trabalho intenso, dentro de seu esquema

Chegando a vencer tudo, com seu amor e habilidade.

Eu vi os longos anos passarem, até que um dia findou

Aquele sofrimento que em minha família marcou

Uma desilusão, deixando um misto de saudade.

Que com gosto de mel e fel, ficou na lembrança

Daquele tempestuoso tempo, até que chegou a bonança

Para minha infância que passou, em inteira tempestade.

Eu vi, naqueles dias de sol, para mim em alegria

Mas para os demais, luta insana, nas horas que corria

Num trabalho interminável, o dia inteiro.

Mas um dia Deus pôs fim naquela luta

E transportados numa carroça, saímos da selva bruta

Para lugar distante, mas com destino certeiro.

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